domingo, 26 de novembro de 2017

Confraria dos Enófilos da Bairrada


O Desarrolhar vem por este meio parabenizar Célia Alves, rosto das Caves de São João e recentemente entronizada Presidente da Confraria dos Enófilos da Bairrada, cujas qualidades se têm revelado ao longo de vários anos dedicadas à causa dos vinhos da Bairrada, não só a nível confrádico mas sobretudo a nível profissional.

Ninguém é grande nem pequeno neste mundo apenas pela vida que leva. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens e mulheres conclui-se pelo valor dos actos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes. E Célia Alves que tem lavrado a terra com bastante afinco e dedicação tem muito mais mérito "religioso" do que poderia obter com mil orações sem nada fazer.

A Direção da Confraria dos Enófilos terá a seu cargo, entre outros pontos do programa, as comemorações do 40.º aniversário da Confraria e da Região Demarcada da Bairrada, que deverão ocorrer em 2019, para as quais conta com a colaboração da Comissão Vitivinícola e da Associação Rota da Bairrada, entre outras instituições.


Além disso, foram entronizados no 39.º Grande Capítulo no Palace Hotel do Bussaco o Confrade de Honra, dois Confrades de Mérito e 13 novos Confrades efetivos.

E nesta confraria báquica activa mais antiga do país entra Miguel Ferreira, A Lei do Vinho.

Pessoalmente não poderia ter ficado mais contente por ver finalmente reconhecidos os méritos deste meu incansável amigo. Ele transporta dentro de si, como dizia Voltaire, o Mérito Inegável. O Miguel é a poesia e tem o "mérito inegável da poesia: ela diz mais e em menor número de palavras do que a prosa.". Um grande ensinamento que o Miguel me tem transmitido consiste na defesa da liberdade individual que repousa, em última análise, no reconhecimento das limitações do nosso conhecimento.

Benvindos à imortalidade que nem todos conseguirão atingir,
Parabéns aos dois, e aos restantes Confreiros, que a História acabou de os inscrever para o futuro,
Um bem hajam e bem ajam.

Ricardo Soares

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

1.° Aniversário do Desarrolhar


O blog Desarrolhar celebra hoje o seu 1.° aniversário.

Celebro-o homenageando em primeiro lugar o Vinho que permanece entre nós desde 8000 - 5000 a.C. (de acordo com a arqueologia); agradecendo a todos os que nele trabalham, sejam eles os lavadores dos cestos, produtores, enólogos, engenheiros, comerciais, distribuidores e companhia Lda; a todos, sem excepção, bloggers, enófilos, promotores e administradores dos vários grupos vínicos de Facebook e revistas da especialidade; e por último, um especial agradecimento aos leitores deste blog que ao longo deste ano (me) vêm dando corpo e textura a esta comunidade.

Não sou, não pretendo nem nunca pretendi ser uma verdade absoluta mas serei sempre fiel aos meus princípios, linha de pensamento e modo de escrita. Porque tudo o que eu faço é apenas o relato de emoções, sensações e momentos de partilha.

A todos vós,
Um brinde!
E obrigado!

Abreijos

Ricardo Soares

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Quinta do Pinto/ Quinta da Rede/ Quinta dos Abibes


Se tivesse de avaliar 3 alunos ao longo do ano lectivo diria que tiveram evoluções diferentes:
- um era bom aluno e ao longo do ano foi baixando as notas;
- outro foi bom aluno e manteve a média ao longo do ano lectivo;
- e outro foi excelente aluno e estudou para tirar as melhores notas da turma

Nota:
* estes 3 "alunos" foram meus alunos e "avaliados" por mim no ano passado (o blog Desarrolhar ainda não tinha nascido).
* a "avaliação" é feita individualmente, não comparativa entre os 3, e de acordo com a sua evolução (não comparo alhos com bugalhos; preto ou branco)


Quinta do Pinto Viognier & Chardonnay 2014

A propósito deste vinho cito Marcel Proust: "Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem."...e digo eu, nem para um vinho. Apresentou uma cor citrina, aroma algo presente e a mostrar algumas notas de fruta madura e floral. Contém alguma elegância na boca mas pouco corpo e acidez discreta. Creio que já foi o tempo dele, bebi este vinho em novo, já o descrevi neste blog, e foi excelente mas não beneficiou com o tempo.


Quinta da Rede reserva branco 2012

Daqueles brancos durienses que aconselho, uma aposta segura e com uma boa tendência gastronómica. Conjuga muito bem com um bom peixe assado no forno. Feito com arinto, viosinho e gouveio, apresentou cor citrina, aroma com boa percepção a fruta madura e de "travo" citrino e um toque mineral. Na boca permanece o equilíbrio entre as notas mais maduras da fruta e a leve presença da tosta da barrica deixando um final macio e gordo. Mantém a qualidade e a sua própria "fisionomia", embora mais maduro com o tempo, mas pelo sim pelo não o melhor será ir bebendo já, não sei como será a evolução.


Quinta dos Abibes reserva tinto 2011

Este é um vinho especial para mim, marcou um período de viragem no mundo dos vinhos e tem sido uma fascinante descoberta que permanece até aos dias de hoje. Acima de tudo foi achar o que nunca havia encontrado antes na região da Bairrada, e me levou ao encontro de outros produtores, visto que andava embrenhado nos Douros e Lisboas. Efectivamente "os" Abibes continuam a preencher os meus requisitos e curiosamente a minha esposa partilha do mesmo sentimento e emoções.
No copo apresenta cor granada intensa e tons mais avermelhados, aromas expansivos de frutos do bosque e vermelhos maduros e especiarias, na boca exibe-se frutado e torneado por uma delicadeza terna, elegante e harmoniosa. Um aluno exemplar e com uma evolução fantástica. Dizia George Moore: "Um homem viaja pelo mundo à procura do que precisa, e volta para casa para encontrá-lo"... nos Abibes encontro aquilo que preciso.


Ricardo Soares

domingo, 19 de novembro de 2017

Wine Fest Porto 2017

Realizou-se ontem, dia 19 de novembro 2017, a segunda edição do Wine Fest Porto e no que diz respeito ao certame considero que houve uma alargada oferta e diversificada de produtores das várias regiões produtoras em Portugal.

Espero que a minha memória não me falhe mas posso frisar alguns destaques, embora subjetivos, e peço desculpa por não ter conseguido provar todos, apanhar o "pifo" não é muito a minha onda. 
Os vinhos da Quinta dos Abibes nunca me desiludiram; igualmente houveram destaques no Joaquim Arnaud; boa selecção da Quinta do Cardo pela mão de Luís Leocádio; excelentes e requintados vinhos da Casa de Saima; excelência na Quinta das Bageiras e Casa da Passarela; brutal e fantástica "acidez" no Esmero (grandes Douros nos brancos e tintos), Vale dos Ares, Santiago e Sem Igual; os Quinta da Rede relembraram as minhas primeiras provas no mundo dos vinhos;  as diversidades nos Portos com Blackett, Messias (também excelentes vinhos), Dalva e Vieira de Sousa; a continuação dos bons vinhos na Pessoa, Maçanita, Horácio Simões e Regueiro; e por fim os vinhos Do Joa para mim uma surpresa nomeadamente na construção do vinho com as suas 20 castas nos brancos e tintos.

Concluindo: houve estilos para todos os gostos mas com uma reflexa e excepcional qualidade "seleccionados" pelo Luís Gradíssimo.

O destaque foi também para a realização de três Provas Especiais: prova vertical dos vinhos referência da Casa da Passarella - Villa Oliveira conduzida pelo enólogo Paulo Nunes; "Os segredos de Joaquim Arnaud"; e por fim a prova "Horácio Simões - Uma história à volta do Moscatel Roxo". Não marquei presença contudo, e em conversa com os participantes, as mesmas foram bastante proveitosas e contribuíram para o acumular de experiências e conhecimentos.

Especiais agradecimentos
- Ao Luís Gradíssimo pela simpatia e excelente certame;
- Ao Mannel Serrano pela amizade, conselhos e partilha
- Ao Nelson do Táscuela pela amizade e companheirismo;
- Ao Sérgio do ContraRótulo pela amizade sincera, séria, frontal e bons "picanços"
- Ao Carlos Ramos dos Cegos por Provas pelo abraço
- Ao Pedro Lima por aquele abraço
- Aos "anónimos" que graças ao evento nos conhecemos, "amigamos" e me incentivaram e parabenizaram pelo blog Desarrolhar
- Aos produtores e enólogos (eles sabem quem são) pelas palavras e simpatia com que me falaram dos seus projectos

Ponto negativo: mais importante do que o vinho no copo é a mão que o estende. Não quero nem desejo ser tratado como um rei mas sou consumidor e pago para beber.
Apenas um comercial não fez jus ao "vinho" que representa, um vinho de gama alta que consumo com alguma regularidade. A orientação e melhoria no atendimento ao cliente é crucial para a sua fidelização. Ao passo que outros (não os invejo), de graça, são tratados com um rei...dá que pensar!

Ricardo Soares














domingo, 12 de novembro de 2017

Wine Fest 2017 - Porto, 18 de Novembro


A produção do vinho português continua a aumentar e a ser cada vez mais uma escolha de referência e, por todo o país, multiplicam-se actividades e eventos vínicos.

Alguns dias depois da primeira edição do evento Grandes Escolhas – Vinhos & Sabores agora é a vez do Porto receber a segunda edição do Wine Fest 2017 no próximo dia 18 de Novembro, no Salão Nobre da Alfândega do Porto.

Uma iniciativa que promete dar a conhecer as novas colheitas, prova de raridades, conversar e aprender com produtores e enólogos. Assim, entre as 15h00 e as 20h00, estarão em prova vários vinhos, "selecionados" por Luís Gradíssimo, organizador e fundador do Wine Club Portugal, por forma a garantir uma representação alargada das várias regiões produtoras em Portugal.

Serão mais de 300 vinhos em prova e três “Provas Especiais”, estas limitadas a 25 lugares, subordinadas aos seguintes temas e vinhos:
- “Casa da Passarella - 125 Anos de História”;
- “Os segredos de Joaquim Arnaud”;
- “Horácio Simões – Uma história à volta do Moscatel Roxo”.

Os bilhetes já estão disponíveis na Ticketline, on-line e nos locais habituais como Fnac, Worten, El Corte Inglés ou Agências Abreu.
A entrada no evento tem o valor de 10€, o bilhete com acesso a cada uma das “Provas Especiais” custa 20€ e o há um Pack Enófilo, para verdadeiros apreciadores, que inclui o acesso às três “Provas Especiais” pelo valor de 50€...

Ricardo Soares

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

"Beber" com moderação


"Há doenças piores que as doenças" escreveu Fernando Pessoa 11 dias antes de sua morte: 19.11.1935

Sempre achei piada ao Fernando Pessoa, um exímio bebedor, e seus heterónimos. Mas confesso que gosto mais dos poetas que dão a cara e falam numa só voz.

Por exemplo, nas redes sociais e no blog Desarrolhar exponho a minha cara e o meu nome. Falo sobre vinhos, temas vínicos da actualidade e estabeleço crítica (subjectiva). Dou a cara por aquilo que escrevo e assino com o meu único nome: Ricardo Soares. Não tenho heterónimos nem sofro de esquizofrenia.

Sou responsável por isso e mais nada para além disso. Ensinaram-me os princípios da boa educação, seriedade e respeito. Se bem que às vezes há malta que leva tudo muito a sério e cometem erros, suspeições, desconfianças, bisbilhotices, alguns puníveis por lei como difamação e injúrias (artigo 180.º e artigo 181.º, do código penal, capítulo VI dos crimes contra a honra).

Por isso, toca a "beber" com moderação, os próprios profissionais de saúde recomendam que o consumo de bebidas alcoólicas seja feito de forma moderada. E isso implica sermos responsáveis por nós próprios e respeitar o próximo. Todos nós, promotores deste hobby, devemos evitar a promoção ou publicidade que encoraje o abuso ou o mau uso por parte dos consumidores. Mas primeiro teremos de ser nós a dar o exemplo.

Continuem com boas pingas,
Termino como comecei, com Fernando Pessoa: "Dá-me mais vinho, porque a vida é nada"

Ricardo Soares (nome próprio e único)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Proibido Grande Reserva 2015 tinto


Foi com os vinhos durienses que comecei a caminhada neste mundo, foram os primeiros vinhos a contarem-me histórias sensoriais e, por isso, quando encontro um que me satisfaz plenamente regozijo-me.

Já é demais sabido que adoro os vinhos do Márcio Lopes, qualquer um. E este Proibido Grande Reserva 2015 tinto está no topo das minhas preferências.

Este vinho é uma espécie de oceano sensorial, cheio de surpresas a cada gota, repleto de caminhos inesperados em que cada trilho é um espetáculo de luz, sons e sabores, um misto de ondas marítimas que ora batem com bravura ora com a lucidez necessária, um vinho com o Douro e as suas gentes lá dentro.
É um vinho que apresenta fruta preta e especiarias bem vincadas no nariz, apesar da sua jovialidade senti-o bem equilibrado na boca com um "manto" longo e persistente, os taninos levemente afinados (com o tempo estarão mais bem afinadinhos), elegante e bem arestado.

Kléber Novartes poetizou:
"Se alguém encontrar o equilíbrio,
venda-me o mapa."

E o Márcio Lopes é o portador deste mapa...

A mim nunca me enganou!

Ricardo Soares