quarta-feira, 26 de julho de 2017

Pequenos Rebentos Alvarinho《à moda antiga》ed. limitada 2015



O texto de hoje pode soar a graxa. Lamento mas não é a minha área de serviço, a graxa. Nem na faculdade engraxava, logo eu que sou conhecido por ser um respondão...mas deixemos a graxa para quem a sabe dar porque eu vou falar de Pequenos Rebentos e do Márcio Lopes.
Sempre gostei dos vinhos do Márcio Lopes, qualquer um. E o próprio Márcio Lopes é daqueles tipos com quem apetece estar a conversar e beber um copo.
Tudo misturado: Pequenos Rebentos e Márcio Lopes. Aconselho vivamente, experimentem que não se vão desiludir...
Desde logo se percebe a sua paixão pelos vinhos, a criação e cuidados que demonstra para com os seus néctares e a forma como esboça futuros projectos. E há uma importante lição que o Márcio transmite (acho que o faz inconscientemente): nada se faz sem trabalho.
A inspiração não chega para o Márcio criar os vinhos, ela é a sua força motriz, mas essa força só se manifesta quando algum esforço a põe em movimento, e esse esforço é o trabalho. Ainda recentemente as suas vinhas (Vinha do Pombal e Vinha Sofia), dos projectos do Douro - Proibido e Permitido - foram afectadas pelos fogos, e o que é que ele fez? Arregaçou as mangas!
E os vinhos são o seu próprio reflexo, como por exemplo este Pequenos Rebentos Alvarinho《à moda antiga》ed. limitada 2015. Ainda jovem e meio envergonhado, com alguma fruta e citrinos bem maduros, vinho rústico, bem equilibrado e untuoso e com uma acidez e mineralidade que mostra bem a sua resistência e o seu potencial evolutivo. Um vinho fantástico, agradável, que apetece, mas que ainda não terminou o seu trabalho, ainda a prometer muito mais... tal como o Márcio Lopes.
Como lhe costumo dizer em jeito de brincadeira: "a mim nunca me enganaste".

Ricardo Soares

terça-feira, 25 de julho de 2017

Quinta dos Abibes Brut Nature Sublime 2009


Hoje venho aqui só para dizer que sou bibliófilo.
Sim, sou bibliófilo. Além de leitor também gosto de colecionar livros.
Como é que descobri esta faceta? Sei lá. O livro raro e precioso tem um odor que é para mim um regalo.
Se tenho sentimentos por eles? Claro. Sensibilidade, carinho, amor, respeito, etc não só pelos conteúdos, mas também pelo conjunto das suas características físicas tais como o tipo de papel, a ilustração, o aspecto gráfico, um autógrafo ou uma dedicatória, a magnificiência da encadernação, o historial e anteriores pertences, o estado de conservação, a temporalidade, primeiras edições, a edição limitada e numerada, etc etc etc.
Se sou tolinho? Devo ser, fico todo feliz quando descubro o livro que há tantos anos anseava e nunca tive a oportunidade de o observar. E apetece-me passar umas horas de solidão, para ler, folhear, abraçar e cheirar esse livro. Mas na maioria das vezes, antes de o ler, passo um longo tempo apenas a observar, a apreciar e a sentir. Só depois é que o leio.

O que tem este espumante Quinta dos Abibes Sublime 2009 a ver com o que escrevi? Tem tudo a ver: este vinho é uma das melhores edições portuguesas que eu tenho.

Ricardo Soares

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Caves Velhas Bucelas Arinto 2000


Este vinho infelizmente...mas antes deixem-me contar uma pequena história:

"Era uma vez um menino apaixonado por patins. Era tudo o que ele queria na vida. Pediu aos pais, implorou, tanto fez que um dia conseguiu. Ficou muito feliz com o par de patins, tão feliz que os guardou muito bem embrulhadinhos dentro da caixa no armário. Não os usava com medo de estragar. O tempo foi passando e os patins guardados. O tempo passava e o menino esqueceu-se dos patins. Mais tarde, ele lembra-se e sente saudade deles. Resolve recuperar o tempo perdido. Vai até o armário, revira tudo e, finalmente, encontra-os. Corre para calçá-los e tem uma surpresa: os patins não servem nos seus pés. O menino, acometido de uma profunda tristeza, chora e lamenta os anos perdidos, lamenta o que não vai mais poder recuperar."

Quase sempre, salvo algumas excepções (rolha, etc), pelo que leio e vou presenciando, quando nos deparamos com um vinho estragado, é "normal" atirar as culpas para o vinho ou desancar no produtor.

Pergunto, não será culpa nossa?
Exemplos: guardar a garrafa em pé, com luz, variações de temperatura e trepidações, etc etc etc. No meu caso, mesmo sabendo dos riscos, arrisquei a compra deste vinho há 4 meses num hipermercado. Durante 17 anos este vinho andou num vai e vem, de prateleira em prateleira, em condições talvez adversas...

Conclusão: a sua morte teve mão humana.

Ricardo Soares

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Álvaro Castro Dão branco 2012


Havia uma altura em que me metia em tudo e mais alguma coisa. Ele era na política, ele era nos escuteiros, ele era no ginásio, ele era na tuna, ele era nas associações académicas, ele era nos cafés a toda a hora, ele era numa banda de música, ele era nas tertúlias literárias, ele era no teatro, etc etc etc, e houve uma altura em que era quase tudo isso misturado com os estudos e o trabalho em part-time... Cansei-me de tudo isso, cansei-me de não ser eu. E decidi levar uma vida mais simples, ser mais simples. Eliminei algumas (quase todas) as "presenças" e decidi ser eu.
Entretanto arranjei um trabalhito, a leitura e escrita nunca me abandonaram, conheci e casei-me com uma linda mulher. Vivo assim. E sou feliz assim: por ser simplório. Invisto o meu tempo nestas "variáveis" e às vezes parece que o tempo não chega.
E às vezes faço uns almoços e jantares um pouco mais complexos para nós os dois na nossa vida simples. E abro umas garrafitas. Como por exemplo, este Álvaro Castro Dão branco 2012. Vinho simples. Sem grandes misturas e avesso a complexidades. Mostrou-me que a simplicidade pode ser sinónimo de riqueza. Portanto, um simplório. Vinho com uma certa exuberância, notas cítricas e minerais, alguma fruta mais quente/exótica, vinho muito vivo, fresco e elegante.
Viva a simplicidade!

Ricardo Soares

terça-feira, 4 de julho de 2017

Niepoort Portas Abertas 2017


De portas abertas, no dia 1 de Julho de 2017, a Niepoort convidou clientes, parceiros e amigos para uma prova informal nos seus jardins em Vila Nova de Gaia, num ambiente descontraído ao ar livre, para dar a conhecer tudo o que produz, comercializa e apoia, assim como a presença de alguns produtores e vignerons.

Neste certame, de copo na mão e com a presença da família Niepoort, tive a oportunidade de desfrutar, trocar impressões, ouvir as novidades e processos, conviver, provar os vinhos presentes, beber chá, "trincar" algumas iguarias (leitão, sushi, patés, queijos, enchidos, ostras, salgados, etc). E claro, não podia faltar a música ao vivo que nos envolveu nesta tarde quente de Verão.


Outro ponto alto, entre outros, foi a abertura de um Demijohn Garrafeira Niepoort 1987 que de uma maneira muito peculiar envelhece o Vinho do Porto.


Desde já, um muito obrigado à família Niepoort  por este soberbo convívio.

Ricardo Soares

sábado, 24 de junho de 2017

Hibernar/Desligar/Reiniciar


Tenho pensado em todas as opções para o meu blog Desarrolhar: Hibernar/Desligar/Reiniciar.

Se repararem tenho estado no modo hibernar.
Não por falta de vinho. Vinho há aqui muito, graças a deus. Do bom e do melhor. Tenho fotos que comprovam os meus deleites. Muitos não divulgo, seria assaltado com toda a certeza absoluta. Não faz parte de mim meter ranço a ninguém.
Não por falta de visitas aos produtores, na semana passada andei a passear tranquilamente por "terras" das Caves de S. João, Bussaco Palace, Adega Viúva Gomes e, como sou tolo, fui a Santarém buscar a "Lisboa" de Hugo Mendes sob um sol arrasador de 40°, etc etc etc. Trouxe a mala do meu "comercial" cheia de coisas boas. Alguns vinhos estou proibido de divulgar.

Mas o porquê do modo hibernar? Enquanto não desligo definitivamente vai ficar assim. A hibernar. Quando tiver assim umas horitas sozinho, e me apetecer, vou publicando alguma coisa.

À partida, continuarei a oferecer a minha amizade a quem quer que ma peça. Seria lamentável, mesmo sendo eu um jovem, que não tivesse aprendido ainda que a verdadeira qualidade dos amigos acaba sempre, cedo ou tarde, por se revelar.

Confesso que também tenho lido por aí muita coisa, como hei-de dizer, ilegível...
Às vezes parece-me triste que alguém publique no Facebook apenas "Vou comer um amendoim". Mais valia optarem pelo silêncio, sinal de que nada mais possuem para partilhar.
Parecem os telejornais ultimamente, só palha e novela, não tardará a que se adiante alguém com esta informação, "Vou soltar um peido."

E com isto me fico,

Vou apreciar os meus vinhos tranquilamente,

Apetece-me dormir.

Ricardo Soares

quinta-feira, 15 de junho de 2017

M.O.B. Lote 3 tinto 2014

Aviso: hoje o texto vai ser muito confuso.

Às vezes há queixas: ou não escrevo nada de jeito, ou escrevo demasiado, ou coisas sem nexo. Uns são gregos, outros troianos, a maioria nem uma coisa nem outra. E hoje não vai ser diferente.
Retomaram-se-me as músicas do vinho, já vos aconteceu? E se eu vos disser que sou como Beethoven: deficiente auditivo. Sim, padecemos do mesmo, se calhar eu com mais sorte do que ele visto que tenho a oportunidade de ouvir os sons com o auxílio de uma prótese auditiva. Mas adiante que as surdezes não são para aqui chamadas. Eu bem avisei que o texto ia ser confuso. Adiante.
Uma tríade, na música, refere-se ao conjunto de 3 notas musicais que estruturam a formação de um acorde. E da Trindade da música harmonia – melodia – ritmo, já ouviram falar? Não tarda muito começo também a falar nas Trindades Espírito-Alma-Corpo. Ah ah ah, eu bem avisei que o meu estado hoje é de paranóia. Vá, mais esta: Pai - Mãe - Filho. Eh eh eh, podia ficar aqui o dia todo a divagar...


Só mais esta: M.O.B.: Moreira, Olazabal, Borges.
Traduzido por miúdos podemos então dizer que MOB é constituído pela Trindade dos produtores de vinho Jorge Moreira (Poeira), Francisco Olazabal (Quinta do Vale Meão) e Jorge Serôdio Borges (Wine & Soul). Que tríade fantástica, este acorde criado pelos MOB, de tão redondinho que estava... entoou uma lindíssima cor granada brilhante, aromas a fruta delicada e uma mineralidade espectacular, algumas nota leves a especiarias finas e um certo pendor balsâmico, acidez moderada, leve e equilibrado.

Albert Einstein, como grande amante da música,  fez um paralelismo entre ela e a Matemática: “A Música, de tão perfeita, é pura como a Matemática; a Matemática, de tão simples, é deslumbrante como a Música. A Música parece uma equação; a equação bem formulada é cheia de harmonia e sonoridade”, direi eu o mesmo acerca deste vinho.

Ricardo Soares