terça-feira, 21 de novembro de 2017

Quinta do Pinto/ Quinta da Rede/ Quinta dos Abibes


Se tivesse de avaliar 3 alunos ao longo do ano lectivo diria que tiveram evoluções diferentes:
- um era bom aluno e ao longo do ano foi baixando as notas;
- outro foi bom aluno e manteve a média ao longo do ano lectivo;
- e outro foi excelente aluno e estudou para tirar as melhores notas da turma

Nota:
* estes 3 "alunos" foram meus alunos e "avaliados" por mim no ano passado (o blog Desarrolhar ainda não tinha nascido).
* a "avaliação" é feita individualmente, não comparativa entre os 3, e de acordo com a sua evolução (não comparo alhos com bugalhos; preto ou branco)


Quinta do Pinto Viognier & Chardonnay 2014

A propósito deste vinho cito Marcel Proust: "Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem."...e digo eu, nem para um vinho. Apresentou uma cor citrina, aroma algo presente e a mostrar algumas notas de fruta madura e floral. Contém alguma elegância na boca mas pouco corpo e acidez discreta. Creio que já foi o tempo dele, bebi este vinho em novo, já o descrevi neste blog, e foi excelente mas não beneficiou com o tempo.


Quinta da Rede reserva branco 2012

Daqueles brancos durienses que aconselho, uma aposta segura e com uma boa tendência gastronómica. Conjuga muito bem com um bom peixe assado no forno. Feito com arinto, viosinho e gouveio, apresentou cor citrina, aroma com boa percepção a fruta madura e de "travo" citrino e um toque mineral. Na boca permanece o equilíbrio entre as notas mais maduras da fruta e a leve presença da tosta da barrica deixando um final macio e gordo. Mantém a qualidade e a sua própria "fisionomia", embora mais maduro com o tempo, mas pelo sim pelo não o melhor será ir bebendo já, não sei como será a evolução.


Quinta dos Abibes reserva tinto 2011

Este é um vinho especial para mim, marcou um período de viragem no mundo dos vinhos e tem sido uma fascinante descoberta que permanece até aos dias de hoje. Acima de tudo foi achar o que nunca havia encontrado antes na região da Bairrada, e me levou ao encontro de outros produtores, visto que andava embrenhado nos Douros e Lisboas. Efectivamente "os" Abibes continuam a preencher os meus requisitos e curiosamente a minha esposa partilha do mesmo sentimento e emoções.
No copo apresenta cor granada intensa e tons mais avermelhados, aromas expansivos de frutos do bosque e vermelhos maduros e especiarias, na boca exibe-se frutado e torneado por uma delicadeza terna, elegante e harmoniosa. Um aluno exemplar e com uma evolução fantástica. Dizia George Moore: "Um homem viaja pelo mundo à procura do que precisa, e volta para casa para encontrá-lo"... nos Abibes encontro aquilo que preciso.


Ricardo Soares

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