quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Harmonizações e Desarrolhares do Chef Hélio Loureiro

Amavelmente, o excelentíssimo amigo e conceituado Chef Hélio Loureiro acedeu ao meu pedido e apresentou uma série de harmonizações e desarrolhares para esta quadra:

"O Natal cheira a limão e canela, vinhos velhos, caramelo, nozes e figos, sonhos e rabanadas, aletria e mexidos feitos pelo meu pai, que ainda se fazem com a mesma receita, rigorosamente contados cento de trinta e sete anos,  que se mistura com o insuportável cheiro do bacalhau cozido mas delicioso quando no prato regado por puro azeite, quando de Trás-os-Montes, extra virgem, ou não fora a minha família materna de Bragança.

Acolitam à mesa os bolinhos de bacalhau e o bacalhau à moda de Fafe receita do lado paterno uma espécie de bacalhau à Conde da Guarda com cominhos e ovos cozidos e salsa fresca, o polvo cozido ou arroz já foi prática assim como o bacalhau frito quando alguns dos que partiram tinham tradição, hoje, temos a memória deles, e, não lhe escutando os passos sentimos alegremente as suas sombras e sorrimos com as suas memórias nas histórias das pequenas partidas que nos pregavam ou que lhes fazíamos.

Seguimos em casa o adágio popular “quem come carne antes do Natal ou é burro ou animal“, assim , no dia vinte e cinco, aí, entra triunfal o capão recheado à moda de Freamunde, sem ossos, para a mesa com os grelos salteados, as batatas no forno, o arroz de salpicão, mas antes a roupa velha com o toque de vinagre.

Seguem-se os doces os da véspera aos que se acrescentam o Bolo Rei, as rabanadas da Inês da casa Inês, as filhoses, os bolinhos de jerimu, o leite creme, queijo da Serra da Estrela, claro, ovos moles de Aveiro e o Christmas Puding com brandy butter e que vem arder, pois claro com a folha de azevinho, tradição anglo-saxónica que introduzi faz alguns anos pelas mãos da minha querida amiga Olga Lacerda da Feitoria Inglesa, agora vem de Escócia pelas mãos do meu irmão quando vai visitar os filhos.

Chocolates pois claro, Michel Cluziel e uma escolha de vinhos para acompanhar tudo isto… sempre delicada e rigorosa!

Em casa de meu irmão selecionamos sempre uma variedade de champagnes para o início, sei que temos belos espumantes é certo e também os bebemos, por certo, mas quer na noite quer no dia champagne é sempre champagne, como dizia Napoleão “nas vitórias é merecido, nas derrotas necessário”… assim para o início antes de passarmos à mesa enquanto se colocam as comidas na mesa de bufete nos rechauds de forma a que nada arrefeça saboreamos umas flutes…basta pois então!



Vinho branco este ano escolhemos do Carlos Lucas para a ceia Encruzado reserva “Ribeiro Santo” para início, depois um Soalheiro para o bacalhau cozido mais fresco e para quem gosta de tinto um “Pai Abel” do Mário Sérgio.




Haverá Natal sem vinho do Porto? Duvido… este ano a escolha será um 20 anos do PortoReccua bem fresco e um colheita 1986 reserva particular para acompanhar o charuto que fica sempre à escolha de meu irmão que será sempre um Partagas ou Romeu e Julieta , Churchill já que a noite é longa no dia seguinte será um Monte Cristo generoso elegante mas em dois estilos para dois tempos.


Para o Capão recheado, ainda estou indeciso entre o “Legado” da Sogrape que deve estar em pleno… acho que vai ser este ano!!!

O vinho do Porto para o dia um vintage de 1963 … é que Natal não é todos os dias!

Natal é  afinal o aniversário do Deus que se fez Homem e habitou entre nós!

Santo Natal!!

Hélio Loureiro"

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