sábado, 31 de março de 2018

Casa do Capitão-mor alvarinho reserva 2015


Um dos meus grandes defeitos são os textos longos e algo lamechas...sou assim!

Hoje tive a confirmação. Eu e os acontecimentos (bom vinho, bom almoço e a companhia da minha mulher) temos o poder de me fazer feliz... Eu e os acontecimentos podemos escolher como é que quero estar. Eu tenho apenas este dia, o de hoje, não sei o dia de amanhã, e vou ser feliz enquanto este decorrer. Às vezes, mas só às vezes, para avaliar a nossa felicidade, devemo-nos perguntar por aquilo que nos diverte, pelo desejo que não tem limite e pelo que podemos alcançar. A felicidade consiste em fazer coincidir tudo isso: o divertimento, o desejo e o alcance das coisas.
E este alvarinho Casa do Capitão-mor reserva 2015 eleva-nos ao auge da felicidade.

Toda a minha infância foi passada em Barcelos, eu sei que este vinho é de Monção, mas apetece-me falar e estar em Barcelos, junto da minha infância...e do Paulo Graça Ramos. Foi precisamente em Barcelos, juntamente com as memórias da minha infância, que encontrei o Paulo e este vinho. E foi lá também que encontrei todos os que já partiram, os ausentes. O efeito da memória é precisamente esse: levar-nos aos ausentes para que estejamos com eles, tê-los connosco e trazê-los até nós.

E este belíssimo vinho trouxe-me a felicidade de hoje, dos que comigo partilharam o copo e a memória dos ausentes.

Foi precisamente com este vinho que comecei a Primavera: com os seus aromas mais quentes, fruta "quente" e exótica, frescura típica primaveril, mineralidade, boa acidez a dar relevo, textura estaladiça, suave, frutado e um final longo. Foi precisamente com este vinho e uma vitela assada à minhota que comecei a Primavera.
Todos nós gostamos: os presentes e os ausentes.

Ricardo Soares

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